Armadilhas do consumo


Adquirir riqueza é uma habilidade que pode ser trabalhada. Existem muitas fórmulas, e experiências descritas por ai. No entanto, há um grande inimigo que precisa ser combatido, para que você seja capaz de ser bem-sucedido com isso.


Emoções. Precisamos ter o controle de nossas emoções, pois elas interferem em nossos julgamentos, principalmente na área financeira. Alguns psicanalistas atribuem as emoções como a origem de um dos maiores erros cometidos por aqueles que querem se relacionar bem com o dinheiro.


Do outro lado da estória de ganhar dinheiro está o de gastá-lo. Existe uma batalha entre quem vende e quem compra. E nessa luta, normalmente quem está em desvantagem é o consumidor. Os vendedores se especializam cada vez mais com técnicas capazes de utilizar as fraquezas humanas ao seu favor, e vender cada vez mais. Mas o que nós consumidores podemos fazer para não sermos seduzidos pelo consumismo?


O centro da fraqueza do consumidor está nas suas emoções. E quando não temos controle sobre elas, não somos tão livres para pensarmos e decidirmos quando fazermos nossas escolhas, principalmente sobre o que consumimos. "Quando compramos algo, escolhemos mais do que uma marca. Escolhemos os atributos que relacionamos a essa marca, como elegância, poder e aventura", afirma Márcia Tolotti, psicanalista especializada no assunto.


Diversas emoções estão relacionadas ao consumo, como a vaidade, a insegurança, a inveja, a tristeza e a frustração. O autoconhecimento, é fundamental para que saibamos o peso das emoções em nossas decisões do dia a dia. E ao entender melhor como essas emoções pesam sobre nós, podemos evitar cair em armadilhas.


Hoje, com o crédito fácil, e formas de pagamentos como cartões de crédito, paypal, celular, e outras novas formas que visam facilitar os pagamentos, as pessoas compram sem limite e se endividam sem controle. O consumo está fortemente vinculado ao crédito. Quanto mais fácil é o acesso aos meios de pagamento disponíveis, menos tempo a pessoa tem para pensar, gerenciar e controlar nossas despesas. Estamos confundindo consumo com consumismo. E ao nos tornar consumistas, não conseguimos pagar nossas contas, e nem usar aquilo que compramos.


Algumas armadilhas que podemos evitar, com um pouco de entendimento.


Decisões irracionais


Quando tomamos decisões relacionadas ao dinheiro, sofremos com algumas interferências negativas. A primeira é a ausência de preparo ou educação financeira. A maioria de nós é analfabeto quando o assunto é finanças pessoais. Isso já é um grande problema. Mas outro grande problema é a imaturidade emocional. E as vezes, mesmo após uma boa educação financeira, mas sem o devido amadurecimento emocional, podemos naufragar financeiramente. É preciso também ter autoconhecimento para ser emocionalmente equilibrado.


Decisões sob picos de tristeza e raiva


A tristeza e a raiva geralmente fazem as pessoas tomarem decisões impulsivas, e sem reflexão lógica. A raiva dificulta o raciocínio e causa uma cegueira que impede que as decisões sejam lúcidas. E a tristeza altera nossa percepção de valor. Podemos dar um peso de prioridade errado nas decisões. Sob o efeito de picos dessas emoções, um investidor pode ter grandes prejuízos. Portanto é fundamental que possamos evitar tomar decisões quando estamos sob o feito de tristeza e raiva. Evitar raiva e tristeza será impossível, mas adiar suas decisões nesses momentos vai evitar problemas financeiros maiores.


Decisões por inveja


A inveja pode gerar um dos maiores problemas na sociedade atual. A inveja surge quando vemos alguém que possui algo que acreditamos ser de nosso merecimento, e que mesmo sem ter condição financeira, ou necessidade real de uso, ficamos cegos e perseguimos tais necessidades ou desejos irracionais. Ninguém está imune a esse sentimento. Nesse sentido, é importante lutar contra isso, pensando de forma racional sobre seu valor ou necessidade. Uma boa forma de combater esse tipo de erro é termos consciência da real situação financeira que temos. Compare o valor dessa necessidade em outras coisas tangíveis, como quantas horas de trabalho para obter esse valor, ou comparar com bens importantes que temos, como casa, carro, televisão, geladeira ou computador. Isso pode nos colocar em posição de melhor avaliar a necessidade e o valor das coisas que desejamos.


Decisões copiadas


Ao tomarmos decisões que são “copiadas” sem reflexão, podemos cair em ciladas. Ouvimos de vez em quando notícias de pirâmides financeiras, ou promessas de sucesso garantido, que se revelam em um tremendo fracasso. São situações conhecidas como “efeito manada”, quando decidimos sem pensar pelo efeito de ver outras pessoas se darem bem. O grande erro aqui consiste de não ter uma visão clara do assunto ou investimento, e acreditar e apostar “fichas” em algo inseguro ou arriscado, do qual não conhecemos.


Decisões compulsivas


Ao sermos submetidos a decisões rápidas pelos vendedores, ficamos sujeitos aos efeitos do “prazer imediato”, provocados pelas dopaminas que inundam nosso corpo. É por isso que muitos compram mais do que podem e acabam se endividando. Precisamos avaliar a real necessidade da compra e não consumir por impulso. Ao perceber situações como essa, um bom conselho é saia fora. A dor da dívida pode ser maior que o prazer de comprar. Pense nisso.


E esteja alerta. Se não se sente mal em deixar de pagar suas dívidas e dar calote na praça, isso é algo que é muito perigoso. É um caminho tortuoso e perigoso.


Decisões destrutivas


Um bom investidor ao comprar uma ação, estabelece quando irá vendê-la, no momento em que o valor do papel comprado atingir um valor predeterminado. Porém, em algumas situações, mesmo quando esse valor é atingido, ele não se permite ter essa recompensa (ganho). Em vez disso, decide adiar a venda, na expectativa de um valor mais alto. Isso pode acontecer mesmo ele sabendo que dificilmente será alcançado. É uma espécie de auto boicote, muito parecido com o que acontece quando um jogador se submete aos ganhos em jogos de azar. Ele nunca quer parar, e acaba perdendo tudo que ganhou, nos momentos de sorte.


Decisões com culpa


Pais que tentam reparar sua ausência no dia a dia dos filhos comprando coisas para eles, por exemplo, estão agindo por meio desse sentimento, o que pode levar a um descontrole financeiro. É preciso parar e pensar se essa é a motivação de uma compra. Se for, evite-a. Saiba que os filhos desejam mesmo é a presença dos pais, e não presentes.


Decisões consumistas


Não há nada errado em consumir. Mas é preciso saber diferenciar o consumo do consumismo, e fugir disso. O consumo gera conforto se conseguimos pagar e não tira nossa capacidade de investimento no longo prazo. No consumismo a pessoa não tem controle e caminha ao endividamento, prejudicando a capacidade de investimento. Isso é um vício que pode ser perigoso.


Sou um endividado


Acima descrevemos decisões que afetam nosso futuro financeiro e podem nos deixar endividados. Mas se já estamos endividados, com podemos sair dessa situação?


A melhor maneira é assumir que nos encontramos nessa situação! É como a situação do alcoólatra. A pessoa não deixa de beber porque alguém quer ou porque alguém pede. Isso não adianta, se ela não assumir que está com problemas e que precisa de ajuda, e que sem isso ela não sairá do buraco em que entrou. Assim como o primeiro passo para parar de beber é evitar o primeiro gole, para evitar as dividas o primeiro passo é evitar o primeiro gasto.


Observe que as pessoas endividadas normalmente não querem fazer as contas para não se assustarem com a realidade, assim como a pessoa que tem suspeita de uma doença grave não quer ir ao médico com medo que a doença venha a se confirmar.


Para eliminar as dívidas não basta somente ter acesso ao dinheiro, é preciso saber o que fazer com ele! Para fugir dessa situação a melhor formar é encarar a realidade. Papel, caneta e calculadora. Procure ajude de um consultor que você conheça. Tome uma atitude, e rápido.




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